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O GLEX Ignition 2026 realiza-se a 29 e 30 de outubro e reúne astronautas, investigadores e especialistas internacionais para debater a exploração da Lua, as missões a Vénus, a procura de planetas habitáveis e as tecnologias espaciais ao serviço da Terra.
Por Open Chronicle Portugal com agências
21 de outubro de 2026
Coimbra prepara-se para receber, nos próximos dias 29 e 30 de outubro, alguns dos principais especialistas internacionais em exploração espacial, numa iniciativa que pretende reforçar o posicionamento da cidade como centro de investigação, inovação e desenvolvimento tecnológico ligado ao setor aeroespacial.
O GLEX Ignition 2026 reunirá 11 oradores internacionais, incluindo investigadores da NASA, representantes da Agência Espacial Europeia (ESA), astronautas e especialistas envolvidos em projetos de exploração do Sistema Solar e de investigação científica avançada.
Entre os participantes anunciados encontram-se Kelsey Young, responsável pela integração de objetivos científicos nas operações de voo do programa Artemis da NASA, o astronauta dinamarquês Andreas Mogensen, antigo comandante da Estação Espacial Internacional, e Pete Worden, antigo diretor do Centro de Investigação Ames da NASA.
O programa abordará temas que vão desde a exploração lunar e a investigação de Vénus até à procura de mundos semelhantes à Terra, passando pela observação do planeta, pela medicina em ambientes extremos e pelas aplicações das tecnologias espaciais na proteção ambiental.
Mais do que uma conferência científica, o encontro pretende aproximar a comunidade internacional de exploração espacial das universidades, empresas e centros de investigação que têm contribuído para o desenvolvimento do setor em Portugal.
Coimbra no centro do debate sobre o futuro da exploração espacial
A realização do GLEX Ignition em Coimbra reflete uma estratégia de valorização da tradição científica da cidade e do seu crescente envolvimento em projetos tecnológicos internacionais.
O evento é organizado pela Expanding World Portugal, em parceria com o The Explorers Club de Nova Iorque, uma organização internacional associada à promoção da exploração científica e geográfica.
Para Manuel Vaz, diretor executivo da Expanding World e cofundador do GLEX Summit, Coimbra reúne condições particularmente favoráveis para acolher uma iniciativa desta natureza.
O responsável recorda que a cidade produz conhecimento há vários séculos e considera que a conferência constitui uma oportunidade para reafirmar o papel histórico e futuro de Portugal na exploração científica.
A intenção dos organizadores passa também por estabelecer novas ligações entre investigadores internacionais, instituições académicas e empresas tecnológicas portuguesas.
Programa Artemis e o regresso da exploração humana à Lua
Um dos principais destaques do encontro será a participação de Kelsey Young, cientista da NASA com responsabilidades na componente científica do programa Artemis.
Young desempenhou funções de liderança científica na missão Artemis II e é atualmente responsável pelas operações científicas de voo do programa, assegurando a integração dos objetivos de investigação nas operações das missões e no trabalho do centro de controlo.
A sua intervenção em Coimbra será dedicada à ciência associada à Artemis II, missão tripulada de sobrevoo lunar realizada em 2026, segundo a informação divulgada pelos organizadores.
O programa Artemis representa uma nova etapa da exploração lunar, procurando desenvolver capacidades que permitam realizar missões humanas mais complexas e preparar futuras operações de longa duração.
Para além dos objetivos tecnológicos, a exploração da Lua constitui uma oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre a formação e evolução do Sistema Solar.
As missões lunares também permitem testar sistemas de navegação, comunicações, proteção dos astronautas e operações científicas que poderão ser relevantes para futuras expedições mais distantes.
Andreas Mogensen leva a experiência da Estação Espacial Internacional
A presença de Andreas Mogensen constitui outro dos momentos centrais do GLEX Ignition.
O astronauta dinamarquês da Agência Espacial Europeia, que comandou a Estação Espacial Internacional, está anunciado para a abertura do programa principal, no Convento São Francisco, a 29 de outubro.
Mogensen é apresentado pelos organizadores como responsável pelo Corpo Europeu de Astronautas, depois de uma carreira que inclui missões espaciais e atividades científicas em órbita terrestre.
A experiência adquirida na Estação Espacial Internacional permite abordar alguns dos principais desafios das operações humanas no espaço, desde a adaptação fisiológica à microgravidade até à realização de experiências científicas em ambientes extremos.
A investigação desenvolvida a bordo da estação tem contribuído para áreas como medicina, biologia, física dos materiais e tecnologias de suporte à vida.
A participação de Mogensen deverá proporcionar uma perspetiva sobre o futuro da exploração humana e o papel da Europa nas próximas missões espaciais.
Vénus, um planeta fundamental para compreender a evolução da Terra
A exploração de Vénus terá também destaque no programa, através da participação de Sue Smrekar, investigadora principal da missão VERITAS da NASA.
A missão foi concebida para estudar a superfície, a estrutura geológica e a evolução de Vénus, utilizando instrumentos de observação destinados a produzir informação detalhada sobre o planeta.
Apesar das semelhanças de dimensão e composição com a Terra, Vénus apresenta condições ambientais radicalmente diferentes.
A sua atmosfera extremamente densa e as elevadas temperaturas à superfície tornam o planeta um laboratório natural para compreender a evolução dos mundos rochosos.
A investigação poderá ajudar os cientistas a estudar processos geológicos, atividade vulcânica e mecanismos que influenciam a evolução atmosférica.
Compreender por que razão dois planetas com características físicas semelhantes seguiram trajetórias tão distintas constitui uma das grandes questões da ciência planetária.
A procura de outros mundos e a exploração interestelar
Pete Worden, antigo diretor do Centro de Investigação Ames da NASA e atualmente diretor executivo do projeto Breakthrough Starshot, participará nas discussões sobre a exploração para além do Sistema Solar.
O Breakthrough Starshot investiga conceitos tecnológicos que poderão, no futuro, permitir o envio de pequenas sondas a velocidades muito superiores às alcançadas pelas missões espaciais convencionais.
A iniciativa está associada ao estudo de sistemas de propulsão baseados em energia dirigida e de veículos espaciais extremamente leves.
Embora estas tecnologias permaneçam numa fase de investigação e desenvolvimento, representam uma abordagem inovadora ao problema das enormes distâncias interestelares.
A exploração de sistemas planetários próximos e a procura de mundos potencialmente habitáveis constituem objetivos científicos de longo prazo.
O debate em Coimbra deverá abordar os obstáculos tecnológicos, energéticos e científicos que ainda precisam de ser ultrapassados antes de uma missão interestelar se tornar operacionalmente viável.
Tecnologia espacial ao serviço da proteção do planeta
O GLEX Ignition não se limitará à exploração de outros corpos celestes.
O programa inclui também sessões dedicadas à observação da Terra e às aplicações das tecnologias espaciais na monitorização ambiental.
Os satélites desempenham atualmente um papel fundamental no acompanhamento das alterações climáticas, na observação dos oceanos, na deteção de incêndios florestais e na avaliação da evolução dos ecossistemas.
A informação recolhida a partir do espaço permite analisar fenómenos que ultrapassam fronteiras nacionais e identificar alterações ambientais em grandes áreas geográficas.
Entre os temas anunciados encontram-se a ecologia costeira e florestal, a medicina em condições extremas e a relação entre a exploração científica contemporânea e os conhecimentos ancestrais.
A diversidade do programa reflete uma conceção abrangente da exploração, entendida não apenas como a descoberta de novos territórios, mas também como uma forma de aprofundar o conhecimento sobre o próprio planeta.
Universidade de Coimbra reforça ambições no setor espacial
A realização da conferência surge num momento em que Coimbra procura consolidar a sua posição no ecossistema espacial português.
O reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, considera que a cidade já reúne condições para se afirmar como uma referência nacional neste domínio.
A ambição assenta numa combinação de tradição académica, capacidade científica, empresas tecnológicas e ligação a programas europeus de inovação.
Nos últimos anos, Coimbra tem reforçado a sua participação em projetos relacionados com engenharia aeroespacial, sistemas de informação, inteligência artificial e tecnologias aplicadas à atividade espacial.
A Universidade de Coimbra introduziu também uma nova licenciatura em Engenharia Aeroespacial, procurando responder à procura de profissionais qualificados num setor em crescimento.
A formação especializada constitui uma componente essencial para desenvolver capacidades nacionais em áreas que exigem conhecimentos avançados de engenharia, matemática, física e computação.
Instituto Pedro Nunes apoiou mais de 60 empresas ligadas ao espaço
Um dos principais pilares do desenvolvimento do setor espacial em Coimbra é o Instituto Pedro Nunes (IPN), instituição associada à Universidade de Coimbra e dedicada à inovação e à transferência de tecnologia.
Entre 2014 e 2024, o programa de incubação empresarial da Agência Espacial Europeia coordenado pelo IPN apoiou mais de 60 empresas relacionadas com o setor espacial em Portugal.
A iniciativa permitiu acompanhar projetos empresariais que utilizam tecnologias espaciais ou desenvolvem soluções com potencial aplicação em missões, satélites e serviços associados.
Em 2026, o programa entrou numa nova fase com o lançamento do ESA BIC Centro, reforçando a aposta na criação e no crescimento de empresas tecnológicas.
Os centros de incubação da ESA procuram apoiar a transformação de conhecimento científico em produtos e serviços comercializáveis, facilitando o desenvolvimento de novos negócios.
A experiência acumulada pelo IPN constitui um dos fatores que explicam a crescente relevância de Coimbra no setor.
Inteligência artificial e segurança das operações espaciais
O ecossistema tecnológico associado a Coimbra inclui empresas como a Neuraspace, especializada na aplicação de inteligência artificial à gestão do tráfego espacial e à monitorização de detritos em órbita.
O crescimento do número de satélites e de objetos artificiais em torno da Terra tornou a segurança orbital uma preocupação crescente.
A identificação de possíveis aproximações perigosas entre satélites e outros objetos exige sistemas capazes de analisar grandes volumes de dados e produzir avaliações de risco.
As ferramentas de inteligência artificial podem contribuir para melhorar a previsão de trajetórias e apoiar decisões relacionadas com manobras de prevenção de colisões.
Outras empresas ligadas ao ecossistema de Coimbra desenvolvem tecnologias para satélites, sistemas informáticos e software crítico utilizado em aplicações aeroespaciais.
Estas atividades demonstram que a participação portuguesa na economia espacial não depende exclusivamente da construção de foguetões ou da realização de missões tripuladas.
O desenvolvimento de componentes, software e serviços especializados constitui também uma parte importante da cadeia de valor internacional.
Ciência, empresas e investimento
Para Amílcar Falcão, um dos principais desafios consiste em transformar a capacidade científica existente em oportunidades de inovação e desenvolvimento económico.
A ligação entre universidades, centros de investigação e empresas pode facilitar a criação de produtos tecnológicos e atrair parceiros internacionais.
O setor espacial apresenta características particulares, incluindo ciclos de desenvolvimento prolongados, requisitos técnicos exigentes e necessidade de investimentos significativos.
Por essa razão, a cooperação internacional e o acesso a programas europeus desempenham um papel relevante no crescimento das empresas.
Eventos como o GLEX Ignition podem contribuir para estabelecer contactos entre investigadores, investidores e organizações que desenvolvem projetos científicos e tecnológicos.
O impacto económico destas iniciativas dependerá, contudo, da capacidade de transformar os contactos estabelecidos em projetos concretos e parcerias duradouras.
Dois dias dedicados às fronteiras da exploração
O programa principal do GLEX Ignition terá lugar a 29 de outubro, no Convento São Francisco, em Coimbra.
As sessões estão previstas a partir das 9h20, prolongando-se durante a tarde, com intervenções de especialistas internacionais em diferentes áreas da exploração espacial.
No dia seguinte, 30 de outubro, realiza-se o Coimbra Supernova – Frontiers in Action, um fórum de menor dimensão e com capacidade limitada.
O segundo dia incluirá duas intervenções principais e uma sessão de perguntas e respostas com o público.
O formato pretende proporcionar uma interação mais próxima entre participantes e especialistas, permitindo aprofundar temas científicos e tecnológicos apresentados durante o encontro.
Autarquia vê oportunidade para atrair investimento e emprego qualificado
A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, considera que a realização da conferência representa uma oportunidade para aproximar a cidade da comunidade científica e tecnológica internacional.
Segundo a autarca, Coimbra dispõe de conhecimento, talento, capacidade científica e empresas com condições para competir internacionalmente.
O desafio consiste em transformar esses recursos em inovação, investimento, atividade económica e emprego qualificado.
A atração de iniciativas internacionais poderá contribuir para dar maior visibilidade ao ecossistema tecnológico local e reforçar as ligações entre instituições académicas e empresas.
A consolidação do setor espacial em Coimbra poderá também criar oportunidades para estudantes, investigadores e profissionais especializados, particularmente nas áreas da engenharia e das tecnologias digitais.
Coimbra procura afirmar-se no futuro espacial europeu
A realização do GLEX Ignition 2026 representa mais uma etapa na estratégia de Coimbra para reforçar a sua presença no setor espacial.
A cidade reúne instituições académicas históricas, centros de investigação, programas de incubação empresarial e empresas tecnológicas que participam em atividades relacionadas com o espaço.
A presença de especialistas da NASA e da ESA poderá contribuir para aprofundar a ligação entre este ecossistema e a comunidade científica internacional.
Ao reunir temas como exploração lunar, investigação planetária, observação da Terra e inteligência artificial, a conferência evidencia a diversidade de áreas que integram atualmente a atividade espacial.
Para Coimbra, o objetivo vai além da organização de um encontro internacional.
A ambição passa por consolidar uma posição duradoura num setor em que ciência, tecnologia, indústria e cooperação internacional estão cada vez mais interligadas.
Fontes e Leituras Complementares
Programa oficial, fontes científicas e instituições de referência.
GLEX Ignition 2026, Programa Oficial
Informações sobre os participantes, as sessões e a programação de 29 e 30 de outubro, em Coimbra.
Agência Espacial Europeia (ESA)
Informação institucional sobre astronautas europeus, programas de exploração e iniciativas de incubação de empresas espaciais.
NASA
Informação oficial sobre o programa Artemis, a missão VERITAS e a investigação científica do Sistema Solar.
Instituto Pedro Nunes (IPN)
Informação sobre incubação tecnológica, inovação empresarial e participação em programas ligados ao setor espacial.
Universidade de Coimbra
Informação institucional sobre investigação científica, ensino superior e desenvolvimento de competências em engenharia aeroespacial.
Nota editorial:
Este artigo foi elaborado a partir das informações fornecidas sobre o GLEX Ignition 2026, previsto para 29 e 30 de outubro. As funções institucionais dos participantes, os dados sobre empresas apoiadas e os detalhes da programação deverão ser confirmados junto dos organizadores antes da publicação. As ligações institucionais apresentadas servem de referência e não representam uma verificação independente de todas as informações.
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