Image: de Sporting CP X@SportingCP
O antigo recordista mundial dos 10 mil metros faleceu esta terça-feira, aos 74 anos, devido a complicações cardíacas. Símbolo maior do Sporting CP e do atletismo português, Mamede deixa um legado de recordes e uma história de superação que marcou gerações.
Redação Open Chronicle Portugal | 27 de janeiro de 2026
Portugal despediu-se, esta terça-feira, de uma das suas figuras mais icónicas e talentosas do panorama desportivo. Fernando Mamede, o “pássaro” que encantou as pistas de todo o mundo, morreu aos 74 anos. A notícia foi confirmada pelo Sporting Clube de Portugal, emblema que representou durante grande parte da sua carreira e onde se tornou um símbolo de excelência.
Natural de Beja, Mamede nasceu a 1 de novembro de 1951 e iniciou o seu percurso no futebol, mas foi no atletismo, sob a orientação do mítico Mário Moniz Pereira, que inscreveu o seu nome na história. Especialista em provas de meio-fundo e fundo, atingiu o auge da sua carreira a 2 de julho de 1984, em Estocolmo, quando bateu o recorde mundial dos 10 mil metros com a marca de 27:13.81 — um registo que permaneceu como recorde da Europa durante décadas.
Uma das maiores figuras do nosso Clube, do atletismo e do desporto mundial. Deixa-nos um legado que será eterno na nossa História.
Até sempre, Fernando Mamede 🤍 pic.twitter.com/79p3I3ND2Z
— Sporting CP (@SportingCP) January 27, 2026
Um palmarés de exceção e a luta contra a pressão
Com 27 recordes nacionais no currículo e três participações em Jogos Olímpicos (Munique 1972, Montreal 1976 e Los Angeles 1984), Fernando Mamede foi medalha de bronze nos Mundiais de Corta-Mato em 1981, em Madrid.
Apesar do seu talento inquestionável, a carreira de Mamede foi também marcada pela enorme pressão competitiva, que por vezes o impediu de brilhar nas grandes finais olímpicas. “Era um atleta de exceção, tantas vezes incompreendido, mas com uma capacidade física que poucos no mundo igualavam”, recordou Domingos Castro, atual presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, numa nota de pesar.
Reações de Estado e do Mundo Desportivo
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já apresentou as suas condolências, descrevendo Mamede como uma “figura marcante e incontornável do desporto nacional”. Em 1989, o atleta foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito pelo seu contributo ao país.
Também a Câmara Municipal de Lisboa, o Comité Olímpico de Portugal e a Federação Portuguesa de Futebol manifestaram o seu profundo pesar, sublinhando que o atletismo português fica hoje “mais pobre”, mas com uma memória eterna gravada nas pistas de cinza e sintético.
Fernando Mamede lutava contra alguns problemas de saúde nos últimos anos, tendo sucumbido a complicações cardíacas em Lisboa. O seu legado permanece como inspiração para todos os jovens atletas que procuram, na corrida, a liberdade que ele tão bem personificava.