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Por Open Chronicle Portugal
LISBOA – O governo português clarificou hoje a sua posição face às recentes pressões de Washington. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, descartou categoricamente “qualquer tipo de envolvimento militar” de Portugal no plano do Presidente Donald Trump para “reabrir” o Estreito de Ormuz, atualmente sob bloqueio e tensão devido ao conflito entre o Irão e o eixo EUA/Israel.
Em declarações curtas, mas assertivas, Rangel respondeu à ameaça oblíqua feita pelo presidente norte-americano aos seus aliados. “Portugal não está, nem estará, envolvido neste conflito”, afirmou o chefe da diplomacia portuguesa, reafirmando a posição de neutralidade militar do país nesta operação específica.
Ameaças à NATO e pressão de Washington
No último fim de semana, Donald Trump apelou aos aliados da NATO para que “policiassem” o estreito, uma das rotas marítimas mais críticas do mundo, que o Irão prometeu atacar em retaliação à campanha de bombardeamentos liderada pelos Estados Unidos e Israel.
Trump não poupou palavras ao dirigir-se aos parceiros internacionais, afirmando que a América “se lembrará” daqueles que não enviarem navios de guerra sob o seu comando. No domingo, em entrevista ao Financial Times, o Comandante-em-Chefe dos EUA subiu o tom, declarando que a falta de acompanhamento por parte dos países aliados seria “muito má para o futuro da NATO”.
Resistência Europeia e Consenso do Bloco
A postura de Washington, no entanto, não encontrou eco nas capitais europeias. Na Alemanha, Stefan Kornelius, porta-voz do Chanceler Friedrich Merz, foi contundente: “Esta guerra não tem nada a ver com a NATO. Não é a guerra da NATO. A NATO é uma aliança defensiva, uma aliança para a defesa do seu próprio território.” Kornelius recordou ainda que os EUA e Israel não consultaram os aliados antes do início das hostilidades.
Em Bruxelas, onde participa numa reunião de chefes de diplomacia, Paulo Rangel alinhou-se com o consenso europeu de que este conflito é visto como “ilegal” por grande parte do bloco. Embora tenha admitido que “tudo o que possa ser feito para desbloquear o Estreito de Ormuz e permitir a livre navegação é positivo”, a mensagem portuguesa permanece estritamente diplomática e não militar.
Missão fora da égide da NATO
Outros aliados de peso, como o Reino Unido e o Japão, também reagiram com cautela. O Primeiro-Ministro britânico, Sir Keir Starmer, indicou estar a trabalhar num plano para a reabertura do estreito, mas sublinhou que esta “não será uma missão da NATO”. Do lado de Tóquio, surgem dúvidas sobre a legalidade internacional de uma intervenção direta.
Até ao momento, a Casa Branca não emitiu qualquer comentário oficial sobre a recusa em bloco dos seus principais aliados europeus.