Image Credentials: Image Title: Preços das casas em Portugal registam subida histórica de 17,6% no último ano Source: (sora.openai) Date: March 2026. Attribution: This image was created using AI-generated imagery (sora.openai) and does not depict a real-world scene.
Por Open Chronicle Portugal
LISBOA – O mercado imobiliário em Portugal atingiu um novo recorde em 2025, consolidando o país como um dos mercados mais pressionados e dinâmicos de toda a União Europeia. Segundo os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e analisados pelo Europe Data, o Índice de Preços da Habitação disparou 17,6% no último ano, marcando o maior aumento anual desde que há registos disponíveis.
Este crescimento representa um salto significativo de 8,5 pontos percentuais face à subida registada em 2024, evidenciando uma aceleração que contrasta fortemente com a média da Zona Euro e da União Europeia.
Casas usadas lideram a escalada
A análise detalhada dos números revela que a pressão sobre o mercado é transversal, mas particularmente acentuada no segmento das habitações já existentes. O preço médio das casas usadas aumentou 18,9%, superando a valorização das casas novas, que fixou a subida em 14,2%.
Em termos de volume de negócios, o mercado movimentou um montante impressionante de 41,2 mil milhões de euros em 2025, o que representa um crescimento de 21,7% em comparação com o ano anterior. Deste total, mais de 30 mil milhões de euros corresponderam à venda de habitações usadas.
Fatores de pressão e investimento
Vários elementos convergem para explicar esta subida sem precedentes. A escassez de oferta crónica, aliada a uma procura interna e externa resiliente, continua a ser o motor principal. Além disso, a descida das taxas de juro, a melhoria do rendimento disponível das famílias e políticas fiscais de incentivo — como a isenção de IMT para jovens — estimularam o dinamismo do setor.
A nível geográfico, os preços aceleraram em 19 dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes. Vila Nova de Gaia, Coimbra e Amadora foram as cidades que registaram as maiores acelerações nas taxas de crescimento. Lisboa continua a manter o preço mediano mais elevado do país, fixando-se em 4.865 euros por metro quadrado.
Portugal no topo da Europa
O desempenho do mercado nacional coloca Portugal no topo do ranking europeu de valorização imobiliária. Enquanto a média da União Europeia registou crescimentos moderados, Portugal isolou-se na liderança, superando mercados tradicionalmente fortes como a Bulgária e a Hungria.
Embora o número de transações efetuadas por residentes estrangeiros tenha registado uma ligeira queda pelo terceiro ano consecutivo (totalizando 8.471 unidades), o valor pago por compradores não residentes continua a ser substancialmente superior ao dos compradores nacionais, especialmente em zonas premium como a Grande Lisboa, o Algarve e a Região Autónoma da Madeira.
Com as previsões de agências como a Fitch a apontarem para a continuidade das subidas em 2026, o acesso à habitação permanece como um dos desafios centrais para a economia portuguesa e para as famílias residentes.