Image: from Diário de Viseu X @diarioviseu
Por Open Chronicle Portugal com agências
Portugal mobilizou uma das suas maiores operações internacionais de assistência humanitária dos últimos anos, com um contingente de 64 operacionais a partir desta sexta-feira da Base Aérea n.º 11, em Beja, para apoiar as operações de busca e salvamento na Venezuela, devastada por dois fortes sismos.
A missão portuguesa integra elementos da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Os operacionais seguem a bordo de dois aviões KC-390 da Força Aérea Portuguesa, transportando cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária, equipamento de salvamento e material médico destinado a apoiar as populações afetadas.
A operação acontece numa altura em que o balanço de vítimas continua a agravar-se.
Pelo menos 28 portugueses e lusodescendentes mortos
O secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, confirmou que pelo menos 28 portugueses e lusodescendentes perderam a vida na sequência dos sismos que atingiram a Venezuela.
Além das vítimas mortais, as autoridades portuguesas indicam que permanecem desaparecidas pelo menos 85 pessoas ligadas à comunidade portuguesa.
Portugal mantém contactos permanentes com as autoridades venezuelanas e com os serviços consulares para localizar cidadãos desaparecidos e prestar apoio às famílias.
Número de vítimas continua a aumentar
Segundo o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, o número total de mortos subiu para pelo menos 920.
As equipas de socorro continuam a trabalhar entre edifícios destruídos em Caracas e noutras regiões afetadas, enquanto milhares de pessoas permanecem desaparecidas.
O coordenador das operações humanitárias das Nações Unidas, Tom Fletcher, alertou que mais de 50 mil pessoas poderão estar desaparecidas.
“Trata-se de uma operação de socorro extremamente complexa”, afirmou o responsável da ONU, acrescentando que as buscas decorrem sob permanente risco devido às réplicas que continuam a sentir-se na região.
Sapadores portugueses vão procurar sobreviventes
Entre os operacionais portugueses seguem quinze elementos do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, especializados em operações urbanas de busca e salvamento.
A equipa deverá chegar aos arredores de Caracas durante o fim de semana para iniciar trabalhos de localização de sobreviventes, remoção de vítimas dos escombros e prestação de assistência pré-hospitalar de emergência.
A missão integra ainda médicos, enfermeiros, técnicos de emergência e especialistas em resposta a catástrofes.
Presidente da República garante apoio à comunidade portuguesa
O Presidente da República, António José Seguro, assegurou que Portugal continuará a apoiar a numerosa comunidade portuguesa residente na Venezuela.
Falando durante uma visita aos Estados Unidos, o chefe de Estado revelou ter mantido contactos com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, para acompanhar a evolução da situação.
“Portugal vai ajudar, como é sua responsabilidade e como sempre fez quando os portugueses precisam do apoio do Estado”, afirmou.
Seguro apelou igualmente à união de esforços para localizar todas as pessoas que continuam desaparecidas.
Companhias aéreas suspendem voos
Os danos provocados pelos sismos no Aeroporto Internacional de Maiquetía levaram várias companhias aéreas a suspender temporariamente as ligações para Caracas.
A Iberia cancelou os voos para a capital venezuelana até 1 de julho, enquanto a Air Europa e a Plus Ultra suspenderam as operações pelo menos até 28 de junho.
As transportadoras anunciaram medidas de flexibilidade para permitir aos passageiros alterar as suas viagens sem custos adicionais.
Enquanto prosseguem as operações internacionais de salvamento, a tragédia continua a mobilizar equipas de emergência de vários países, numa corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes entre os escombros deixados pelos dois violentos sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela com apenas 39 segundos de intervalo.