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Incêndio de Vouzela alastra com progressão “brutal” e mobiliza perto de mil operacionais

Image: from NewsTongue X @NewsTongueX 

Por Open Chronicle Portugal com agências

O incêndio que deflagrou na madrugada de quinta-feira na localidade de Tourelhe, freguesia de Cambra, no concelho de Vouzela, está a ser descrito pelas autoridades como um dos fogos mais violentos deste verão. A rápida propagação das chamas levou o incêndio a atingir os concelhos de Oliveira de Frades e Águeda, obrigando à mobilização de cerca de 900 operacionais e ao acionamento de meios aéreos.

O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, classificou o comportamento do fogo como “atípico” e de uma “brutalidade” pouco habitual.

“As projeções são diabólicas. Com este vento todo a empurrá-lo, criou-se um corredor desde Macieira de Alcoba até à cidade. Eram 22h e estava tudo tranquilo em Águeda e às 04h30 o incêndio já estava na cidade”, afirmou o autarca.

Apesar da violência das chamas, Jorge Almeida indicou que, até ao momento, os danos registados em Águeda dizem sobretudo respeito a anexos, casas devolutas e algumas construções em ruínas.

“Temos de fazer um balanço mais rigoroso. O incêndio passou muito perto de dezenas de aldeias e será necessário avaliar todos os prejuízos”, acrescentou.

Populações protegidas durante a noite

Segundo o comandante António Ribeiro, do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Aveiro, o incêndio chegou durante a noite ao centro de Águeda, mas a situação encontrava-se estabilizada durante a manhã.

“Há muito fumo. Parece nevoeiro cerrado, mas a cidade continua com a vida normal. As estradas estão abertas e a circulação decorre normalmente”, explicou.

A principal preocupação das autoridades mantém-se na extensa linha de fogo que se estende desde Cambra até Águeda, atravessando diversas povoações.

Embora tenham sido realizadas operações de proteção às localidades ameaçadas pelas chamas, não foi necessário proceder à evacuação de habitações no concelho de Águeda.

Ainda assim, a Câmara Municipal ativou o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil para coordenar a resposta operacional.

Um ferido e primeiro desalojado

O presidente da Câmara de Águeda confirmou igualmente a existência de um ferido com queimaduras.

Segundo Jorge Almeida, tudo indica que o homem tentou combater o incêndio pelos próprios meios.

“Aparentemente, tentou fazer algum tipo de combate ao incêndio e as coisas não correram bem. Foi evacuado com algumas queimaduras”, explicou.

Entretanto, no concelho de Cinfães, um homem com cerca de 80 anos ficou desalojado devido a outro incêndio que ardia desde quinta-feira na localidade de Moimenta.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Nespereira, Paulo Soares, indicou que, apesar da destruição da habitação, não há feridos a registar.

O responsável explicou que a noite foi particularmente difícil devido ao vento forte e ao relevo acidentado da zona, composta por mato e povoações dispersas, embora a evolução do incêndio seja agora considerada favorável.

Linha do Vouga encerrada

O incêndio obrigou igualmente à suspensão da circulação ferroviária na Linha do Vouga, entre as estações de Águeda e Sernada do Vouga.

A Infraestruturas de Portugal informou que a circulação permanece interrompida devido à proximidade das chamas à via férrea.

Pelas 09h00, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil indicava que o incêndio mobilizava 903 operacionais, apoiados por 280 veículos e cinco meios aéreos.

Com cinco frentes ativas durante o período mais crítico, este é apontado como o primeiro grande incêndio florestal do verão, colocando à prova os meios de combate e a capacidade de proteção das populações perante condições meteorológicas particularmente adversas.

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