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Por Open Chronicle Portugal com agências
O incêndio que deflagrou na madrugada de quinta-feira na localidade de Tourelhe, freguesia de Cambra, no concelho de Vouzela, está a ser descrito pelas autoridades como um dos fogos mais violentos deste verão. A rápida propagação das chamas levou o incêndio a atingir os concelhos de Oliveira de Frades e Águeda, obrigando à mobilização de cerca de 900 operacionais e ao acionamento de meios aéreos.
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, classificou o comportamento do fogo como “atípico” e de uma “brutalidade” pouco habitual.
“As projeções são diabólicas. Com este vento todo a empurrá-lo, criou-se um corredor desde Macieira de Alcoba até à cidade. Eram 22h e estava tudo tranquilo em Águeda e às 04h30 o incêndio já estava na cidade”, afirmou o autarca.
Apesar da violência das chamas, Jorge Almeida indicou que, até ao momento, os danos registados em Águeda dizem sobretudo respeito a anexos, casas devolutas e algumas construções em ruínas.
“Temos de fazer um balanço mais rigoroso. O incêndio passou muito perto de dezenas de aldeias e será necessário avaliar todos os prejuízos”, acrescentou.
Cenário desolador no Concelho de Vouzela com as chamas a progredirem com grande violência!
Segundo conseguimos apurar, umas das frentes já entrou no Concelho de Oliveira de Frades.
No local estão já mais de 600 operacionais apoiados por 184 veículos. pic.twitter.com/8OBrLofVNk— Jeff Nascimento (@Jeffers78017291) July 3, 2026
Populações protegidas durante a noite
Segundo o comandante António Ribeiro, do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Aveiro, o incêndio chegou durante a noite ao centro de Águeda, mas a situação encontrava-se estabilizada durante a manhã.
“Há muito fumo. Parece nevoeiro cerrado, mas a cidade continua com a vida normal. As estradas estão abertas e a circulação decorre normalmente”, explicou.
A principal preocupação das autoridades mantém-se na extensa linha de fogo que se estende desde Cambra até Águeda, atravessando diversas povoações.
Embora tenham sido realizadas operações de proteção às localidades ameaçadas pelas chamas, não foi necessário proceder à evacuação de habitações no concelho de Águeda.
Ainda assim, a Câmara Municipal ativou o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil para coordenar a resposta operacional.
Um ferido e primeiro desalojado
O presidente da Câmara de Águeda confirmou igualmente a existência de um ferido com queimaduras.
Segundo Jorge Almeida, tudo indica que o homem tentou combater o incêndio pelos próprios meios.
“Aparentemente, tentou fazer algum tipo de combate ao incêndio e as coisas não correram bem. Foi evacuado com algumas queimaduras”, explicou.
Entretanto, no concelho de Cinfães, um homem com cerca de 80 anos ficou desalojado devido a outro incêndio que ardia desde quinta-feira na localidade de Moimenta.
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Nespereira, Paulo Soares, indicou que, apesar da destruição da habitação, não há feridos a registar.
O responsável explicou que a noite foi particularmente difícil devido ao vento forte e ao relevo acidentado da zona, composta por mato e povoações dispersas, embora a evolução do incêndio seja agora considerada favorável.
Linha do Vouga encerrada
O incêndio obrigou igualmente à suspensão da circulação ferroviária na Linha do Vouga, entre as estações de Águeda e Sernada do Vouga.
A Infraestruturas de Portugal informou que a circulação permanece interrompida devido à proximidade das chamas à via férrea.
Pelas 09h00, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil indicava que o incêndio mobilizava 903 operacionais, apoiados por 280 veículos e cinco meios aéreos.
Com cinco frentes ativas durante o período mais crítico, este é apontado como o primeiro grande incêndio florestal do verão, colocando à prova os meios de combate e a capacidade de proteção das populações perante condições meteorológicas particularmente adversas.

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