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Open Chronicle Portugal com Agências
LISBOA – Portugal atravessa um inverno marcado por uma sucessão rara e devastadora de fenómenos meteorológicos. O país foi atingido por um “comboio de depressões” — uma sequência de tempestades consecutivas batizadas como Ingrid, Joseph e Kristin, que causou pelo menos dez mortes e danos generalizados, especialmente nas regiões de Leiria, Coimbra e Santarém.
Um Fenómeno Raro, mas Não Inédito
Em entrevista à Lusa, o físico atmosférico e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Pedro Matos Soares, explicou que este “comboio de tempestades” é uma característica da localização de Portugal como zona de transição, embora a frequência atual seja invulgar. A situação foi provocada pelo posicionamento persistente do anticiclone dos Açores mais a sul, criando um corredor para que as depressões geradas no Atlântico Norte seguissem diretamente para a Península Ibérica.
O especialista destacou que a tempestade Kristin, a mais severa do grupo, apresentou características de um “sting jet”, um fenómeno que gera ventos e precipitação de intensidade extrema, semelhante aos eventos registados em 2009 e 2018 (Furacão Leslie).
Adaptação Radical: A “Nova Realidade”
Matos Soares alerta que, embora não se preveja um aumento no número total de tempestades no futuro, aquelas que ocorrerem serão significativamente mais intensas devido às alterações climáticas. O aquecimento global traduz-se em mais vapor de água na atmosfera e nos oceanos com maior energia acumulada.
O especialista defende uma “adaptação radical” da sociedade portuguesa, sugerindo:
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Revisão do Ordenamento do Território: Repensar a localização de infraestruturas e zonas residenciais.
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Reforço de Infraestruturas Críticas: Edifícios públicos, escolas e redes elétricas devem ser preparados para servirem como “abrigo climático”.
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Regulamentação de Construção: Normas mais estritas para resistir a ventos e chuvas torrenciais que já não seguem os padrões do século XX.
Estado de Calamidade e Novos Alertas
A gravidade da situação levou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a cancelar compromissos oficiais para acompanhar o estado de calamidade no país. Com cerca de 167.000 habitações ainda sem eletricidade ou água após a passagem da Kristin, a Proteção Civil mantém-se em alerta máximo, prevendo-se que a tempestade Leonardo traga mais chuva e instabilidade nos próximos dias.
“Em vez de nos paralisarmos com o medo, precisamos de fazer algo mais inteligente”, conclui Matos Soares, sublinhando que a preparação é a única forma de mitigar os impactos económicos e humanos destes novos extremos.