Image Credentials: Image Title: Crise no ensino médico no Brasil: 14 mil novos médicos falham em teste básico de competência Source: (sora.openai) Date: January 2026. Attribution: This image was created using AI-generated imagery (sora.openai) and does not depict a real-world scene.
Open Chronicle Portugal com agências
RIO DE JANEIRO – O sistema de saúde brasileiro enfrenta uma crise de confiança sem precedentes. Os resultados do primeiro exame nacional de competência médica, divulgados em janeiro de 2026, revelaram um cenário alarmante: cerca de 14.000 estudantes finalistas de medicina provêm de faculdades classificadas como “criticamente deficientes”, falhando em demonstrar conhecimentos clínicos básicos para o exercício da profissão.
Expansão Desenfreada e Queda na Qualidade
A crise é o resultado de duas décadas de expansão acelerada do ensino médico. Para colmatar a escassez de profissionais, o número de faculdades de medicina no Brasil saltou de 143 para 448 em vinte anos. No entanto, esta expansão foi dominada pelo setor privado, muitas vezes com supervisão mínima.
El examen con el que el Ministerio de Educación de Brasil ha evaluado por primera vez la formación de los futuros médicos da resultados escandalosos. Un tercio de los cursos universitarios no los prepara para ejercer en unas condiciones aceptables https://t.co/HTRE38Wvcz pic.twitter.com/FvCWxjlDmX
— EL PAÍS América (@elpais_america) February 2, 2026
O exame revelou uma ironia amarga: os cursos mais caros, com propinas que podem atingir os 2.500 dólares mensais, apresentam frequentemente os piores resultados. Enquanto as universidades públicas federais mantiveram taxas de proficiência acima dos 83%, as instituições privadas com fins lucrativos, que formam hoje a maior parte dos médicos no país, registaram apenas 57% de aprovação.
O Vazio Legal: Diploma como Única Exigência
O ponto mais crítico da denúncia reside na legislação atual. No Brasil, ao contrário de outras profissões como a advocacia, não existe um exame de ordem obrigatório para exercer medicina. Isto significa que todos os 14.000 graduados que chumbaram no teste de competência podem, legalmente, registar-se nos conselhos regionais e começar a tratar pacientes imediatamente após receberem o diploma.
Reações Políticas e Futuro do Setor
A revelação dos dados fracturou o espectro político brasileiro:
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Governo Lula: Defende que o Ministério da Educação transforme este exame numa exigência obrigatória para o licenciamento.
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Conselho Federal de Medicina (apoiado pela direita): Pressiona pela criação de um exame independente, semelhante ao modelo da Ordem dos Advogados (OAB), sob o seu controlo direto.
Até ao momento, oito programas foram suspensos e dezenas enfrentam cortes obrigatórios nas vagas. O lobby das universidades privadas tentou, sem sucesso, impedir a divulgação dos resultados em tribunal.
Para os especialistas, a experiência brasileira serve de alerta global: aumentar o número de médicos é inútil se a qualidade da formação for sacrificada em nome do lucro ou da rápida expansão estatística.