Menu Close

Portugal faz história ao devolver tesouros pré-hispânicos traficados ao México

Image: Portugal returns three stolen artifacts to Mexico in a handover ceremony at the Mexican Embassy in Lisbon, February 17, 2026.

(photo credit: The Government of Mexico)

Por Redação Open Chronicle Portugal  com Agências

LISBOA – Num gesto sem precedentes de cooperação cultural e justiça histórica, as autoridades portuguesas formalizaram a devolução de três importantes artefactos arqueológicos pré-hispânicos ao México. Esta é a primeira vez que o Estado português restitui bens culturais ao país latino-americano, assinalando um marco no combate ao tráfico ilícito de património.

A cerimónia de entrega decorreu na Embaixada do México em Lisboa, onde as peças, que representam diferentes civilizações e períodos da antiga Mesoamérica, foram confiadas aos diplomatas mexicanos. Os objetos, recuperados em diferentes operações judiciais em solo luso, deverão regressar em breve ao seu país de origem por via diplomática.

As Joias da Restituição

Entre os itens devolvidos destaca-se uma figura feminina de cerâmica do Oeste do México, proveniente do atual estado de Jalisco. Com 43 centímetros de altura e datada entre 300 e 600 d.C., a peça pertence ao estilo Tala-Tonalá, associado à tradição das “Tumbas de Tiro”. A figura, representada ajoelhada e com adornos de escarificação nos ombros, estaria ligada a rituais de fertilidade e culto aos antepassados. Esta peça ia ser leiloada em 2024, mas a intervenção rápida do Ministério Público de Lisboa e da Polícia Judiciária impediu a venda.

O segundo artefacto é um vaso polícromo Maia do Período Clássico (600-900 d.C.). Decorado com cenas de figuras de elite e textos hieroglíficos, este tipo de recipiente era utilizado para o consumo ritual de cacau. O vaso foi apreendido pelas autoridades na província de Guimarães.

Por último, foi entregue uma urna funerária Zapoteca que representa Cocijo, a divindade da chuva e do trovão. Datada entre 600 e 1200 d.C., a peça é originária dos Vales Centrais de Oaxaca e foi confiscada pelo Ministério Público de Évora-Estremoz.

Diplomacia e Memória

A Secretaria de Cultura do México sublinhou que cada restituição deste género “devolve a memória e a identidade à nação”. O processo de recuperação contou com o apoio científico do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) do México, que autenticou as peças através de análises iconográficas.

Este ato de Portugal alinha-se com uma tendência internacional crescente de repatriamento de bens culturais removidos ilegalmente das suas regiões de origem. Para os especialistas, a colaboração entre as polícias portuguesas e as instituições mexicanas estabelece um novo padrão para as relações bilaterais e para a proteção do património mundial.

As peças aguardam agora o transporte final para o território mexicano, onde serão integradas nas coleções nacionais para estudo e exposição pública.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *