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Por Redação Open Chronicle Portugal
QUARTEIRA / ALGARVE – O “carrossel de tempestades” que atingiu Portugal nas últimas semanas deixou marcas profundas na linha de costa, com várias praias a “desaparecerem” literalmente sob a força das marés de inverno. O cenário é particularmente alarmante no Algarve e em zonas do Norte, onde a erosão costeira foi severamente acelerada, deixando as falésias num estado de instabilidade perigoso.
Na Praia do Forte Novo, em Quarteira, a força das ondas não só consumiu o areal, como destruiu passadiços de madeira e provocou o colapso de troços de estrada e passeios adjacentes. Segundo especialistas e autoridades locais, a vulnerabilidade da costa foi amplificada pela subida do nível do mar, transformando zonas balneares icónicas em áreas quase irreconhecíveis.
As dentadas no litoral — sobretudo nos areais balneares — têm sido mais intensas que o habitual. Apesar de alguma recuperação natural até ao verão, muitas praias já não vão ser o que eram
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— Expresso (@expresso) February 13, 2026
Falésias em Risco de Colapso
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) já iniciou um levantamento nacional dos danos. O alerta é claro: este ano, os veraneantes devem manter uma distância rigorosa das falésias. Muitas estruturas rochosas foram comprometidas pela chuva persistente e pela força do mar, estando agora sujeitas a derrocadas súbitas.
Em Almada, na zona da Costa da Caparica, a situação é igualmente desesperante, com deslizamentos de terra a forçar a evacuação de residentes e a ameaçar habitações situadas em encostas frágeis. A APA prevê realizar derrocadas controladas em vários pontos críticos antes do início da época balnear, numa tentativa de estabilizar as áreas e garantir a segurança pública.
Intervenções de Urgência
No Algarve, autarcas de municípios como Albufeira e Loulé apelam a “intervenções urgentes”. Em Albufeira, o areal da Praia do Peneco foi reduzido a tal ponto que a rocha base ficou exposta, empurrando os visitantes perigosamente para junto das arribas.
Embora já estivesse planeado um investimento de cerca de 15 milhões de euros para a reposição de areia num troço de 6,7 quilómetros entre Quarteira e o Garrão, as tempestades recentes vieram provar que as medidas de manutenção podem já não ser suficientes. Especialistas defendem que Portugal precisa de soluções de longo prazo e sustentáveis para enfrentar a crise climática que ameaça o seu património natural mais valioso.
O governo estima que os custos diretos de reconstrução e proteção da orla costeira após este inverno rigoroso possam atingir valores recorde, enquanto as comunidades locais observam, com preocupação, o avanço implacável do oceano.