Image: from Global Defense Corp X @GlobalDefCorp
A tecnológica luso-ucraniana U-Force, que produz drones navais em solo nacional, garantiu um investimento de 50 milhões de dólares para escalar a produção de sistemas testados em combate.
LISBOA – A U-Force, empresa de tecnologia de defesa com raízes na Ucrânia e no Reino Unido, anunciou hoje ter alcançado o estatuto de “unicórnio”, uma startup avaliada em mais de mil milhões de dólares. O marco histórico para o setor da defesa surge após uma ronda de investimento de 50 milhões de dólares liderada pelas capitais de risco Shield Capital e Lakestar, com a participação da Ballistic Ventures e de outros investidores europeus e americanos.
A empresa, que estabeleceu uma unidade de produção de drones marítimos em Portugal, tem estado no centro das atenções devido à eficácia da sua tecnologia no campo de batalha. Segundo avançou o semanário Expresso, os sistemas da U-Force foram testados com sucesso em setembro passado no REPMUS, o maior exercício de drones militares do mundo, que decorre anualmente em Troia, Setúbal.
Tecnologia Provada no Campo de Batalha
Diferente de muitas startups do setor, a U-Force destaca-se por entregar equipamento já validado em cenários de guerra real. A empresa detém participações maioritárias em nove promotoras ucranianas de tecnologias críticas, incluindo os célebres drones “kamikaze” Magura — veículos de superfície não tripulados responsáveis pelo afundamento de mais de uma dezena de navios russos no Mar Negro.
🇺🇦 — Drone aquático MAGURA em breve trará surpresas desagradáveis ao inimigo [Rússia], mídia da Ucrânia.
Agora, estes não são apenas drones kamikaze, mas plataformas de combate naval que podem responder ao fogo, minar e atacar sem autodestruição e retornar à base. pic.twitter.com/cfkQW3xQf8
— SÓ NOTÍCIAS (@newsmundo33) February 11, 2024
Atualmente, a versão MV7 destes drones já está a ser fabricada em Portugal. “A Ucrânia não se limitou a adaptar-se à guerra moderna; ela reinventou-a”, afirmou Oleg Rogynskyy, cofundador e CEO da U-Force. “Criámos uma empresa capaz de pegar nestes sistemas provados em combate e entregá-los aos aliados que enfrentam ameaças semelhantes.”
Portugal como Hub Estratégico
A escolha de Portugal para a instalação da fábrica não foi aleatória. Fontes da empresa indicam que o país é “líder na área de pequenas embarcações autónomas”. O objetivo da Marinha Portuguesa passa por transformar o país num centro de excelência da NATO para drones marítimos, aproveitando a localização estratégica e o know-how local.
Embora a localização exata da unidade fabril seja mantida sob sigilo por razões de segurança, sabe-se que a produção visa o fornecimento imediato de sistemas aéreos, marítimos e terrestres (como o robô de combate Lyut 2) a aliados ocidentais.
Liderança de Peso
A equipa de gestão da U-Force reforça a seriedade da operação, contando com figuras como o antigo Primeiro-Ministro da Ucrânia, Oleksii Honcharuk, e o ex-Secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace.
Com a nova injeção de capital, a U-Force planeia expandir as suas instalações industriais por toda a Europa, focando-se em sistemas capazes de operar em ambientes de guerra eletrónica extrema, onde o sinal de GPS é frequentemente bloqueado.