Image Credentials: Image Title: Texas Primaries Reshape Key US Senate and House Battles Ahead of Midterms. Source: (chatgpt.com) Date: May 2026. Attribution: This image was created using AI-generated imagery (chatgpt.com) by Open Chronicle and does not depict a real-world scene.
Por Open Chronicle Portugal com agências
A Comissão Europeia apresentou um ambicioso pacote de soberania tecnológica destinado a reforçar a capacidade industrial e digital da Europa, reduzindo a dependência de empresas e tecnologias provenientes dos Estados Unidos e da China.
A iniciativa surge num momento em que a tecnologia é vista cada vez mais como um instrumento de poder geopolítico, levando Bruxelas a apostar fortemente em áreas estratégicas como a computação em nuvem, a inteligência artificial, os semicondutores e o software de código aberto.
Europa quer recuperar terreno
A vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, defendeu que a liderança tecnológica será determinante para o futuro económico e político do continente.
Segundo a responsável, a União Europeia não pode continuar excessivamente dependente de fornecedores externos em setores considerados críticos para a sua segurança, competitividade e autonomia estratégica.
Atualmente, grande parte do mercado digital europeu é dominada por gigantes tecnológicos norte-americanos como a Google, Microsoft e Apple, bem como por empresas chinesas como a Alibaba e a ByteDance, proprietária da plataforma TikTok.
Computação em nuvem no centro da estratégia
Uma das principais medidas do pacote incide sobre os serviços de computação em nuvem, atualmente controlados em cerca de 80% por empresas norte-americanas.
A proposta estabelece diferentes níveis de soberania digital para os contratos públicos europeus. Nos setores mais sensíveis, como defesa, saúde e infraestruturas críticas, as novas regras poderão limitar significativamente o acesso de fornecedores não europeus.
O objetivo é reduzir riscos associados a dependências externas, incluindo a possibilidade de interrupção de serviços estratégicos por decisões de governos estrangeiros.
Nova aposta nos semicondutores
A Comissão pretende também reforçar a capacidade europeia na produção de semicondutores, considerados componentes essenciais para praticamente toda a economia digital moderna.
Depois da primeira Lei dos Chips não ter conseguido atrair para a Europa o volume de investimento inicialmente esperado, Bruxelas procura agora estimular a procura por semicondutores produzidos no continente, esperando que isso incentive novas capacidades industriais.
A estratégia visa diminuir a dependência das cadeias de abastecimento dominadas pelos Estados Unidos e pela Ásia Oriental, especialmente em áreas ligadas à inteligência artificial e à computação avançada.
Inteligência artificial como prioridade
A inteligência artificial ocupa uma posição central na nova visão tecnológica europeia.
A Comissão pretende criar condições para que empresas europeias possam competir com líderes globais como OpenAI, Anthropic ou DeepSeek.
A francesa Mistral AI é atualmente apontada como uma das poucas empresas europeias capazes de disputar espaço no segmento mais avançado da IA.
Contudo, especialistas alertam que a Europa continua atrasada na construção de centros de dados, devido a obstáculos como custos energéticos elevados, burocracia e limitações de espaço.
Dependências continuam difíceis de eliminar
Apesar da nova estratégia, Bruxelas reconhece que a autonomia tecnológica total é irrealista.
A União Europeia continua dependente de tecnologias fundamentais desenvolvidas fora do continente, incluindo os chips avançados produzidos pela NVIDIA.
Ao mesmo tempo, a Europa mantém posições estratégicas importantes na cadeia global de valor dos semicondutores, sobretudo através da ASML, líder mundial em equipamentos essenciais para a fabricação de chips.
Riscos de tensão com Washington e Pequim
A iniciativa europeia surge num contexto de crescente rivalidade tecnológica global.
Nos últimos anos, tanto Washington como Pequim utilizaram dependências económicas e tecnológicas como instrumentos de pressão geopolítica, aumentando as preocupações europeias sobre vulnerabilidades estratégicas.
Apesar disso, Bruxelas acredita que o seu mercado continua a ser suficientemente relevante para evitar uma escalada significativa de retaliações por parte das duas maiores potências mundiais.
Objetivo para 2030
A Comissão Europeia admite que os resultados não serão imediatos.
Henna Virkkunen sublinhou que cerca de 80% das tecnologias utilizadas atualmente na Europa continuam a ser importadas, mas defendeu que o continente deve começar desde já a construir capacidades próprias.
O objetivo passa por alcançar progressos visíveis até 2030, reforçando a competitividade da economia europeia e garantindo maior autonomia num mundo cada vez mais marcado pela disputa tecnológica.