Image Credentials: Image Title: FMI reduz previsão de crescimento da economia portuguesa para 1,7% e recomenda fim dos apoios à compra da primeira habitação. Source: (chatgpt.com) Date: June 2026. Attribution: This image was created using AI-generated imagery (chatgpt.com) by Open Chronicle and does not depict a real-world scene.
Por Open Chronicle Portugal com agências
O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a rever em baixa a previsão de crescimento da economia portuguesa para 2026, estimando agora uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,7%, abaixo dos 1,9% projetados em abril e dos 2% previstos pelo Governo português.
A nova projeção consta do relatório anual do Artigo IV, divulgado esta quarta-feira, no qual a instituição identifica um contexto internacional mais desafiante, marcado pelos efeitos económicos da guerra no Médio Oriente, que deverão compensar parte do impacto positivo do financiamento europeu.
Segundo o FMI, os temporais severos que afetaram Portugal no início do ano tiveram um efeito negativo temporário sobre a atividade económica. No entanto, o organismo considera que os trabalhos de reconstrução e reparação deverão impulsionar o crescimento nos próximos meses, tornando o impacto global praticamente neutro.
Para 2027, o Fundo prevê que a economia portuguesa cresça apenas 1,6%, seguindo-se uma ligeira aceleração para 1,8% em 2028. A desaceleração esperada no próximo ano é explicada sobretudo pelo fim dos investimentos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência.
No que diz respeito à inflação, o FMI estima que o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor aumente para 3,4% em 2026, impulsionado pela subida dos preços das matérias-primas e, em menor grau, pelas pressões salariais. Em 2027, a inflação deverá recuar para 2,3%, desde que não ocorram novos choques económicos internacionais.
FMI critica apoios à compra da primeira casa
O relatório dedica também especial atenção à política de habitação implementada pelo Governo, recomendando a eliminação dos incentivos destinados aos jovens que compram a primeira habitação.
Na avaliação da instituição, medidas como a isenção de IMT e Imposto do Selo, bem como o regime de garantia pública para crédito à habitação, acabaram por estimular a procura sem resolver os problemas estruturais do mercado, contribuindo para o agravamento dos desequilíbrios existentes.
O FMI considera que futuras políticas públicas devem centrar-se sobretudo no aumento da oferta habitacional e não no incentivo à procura.
Entre as recomendações apresentadas encontram-se a simplificação dos processos de licenciamento, a revisão das regras de urbanismo e utilização dos solos, alterações na tributação imobiliária e medidas destinadas a tornar o mercado de arrendamento mais eficiente.
O organismo internacional defende igualmente um reforço do investimento em habitação social e a criação de apoios direcionados para agregados familiares em situação de maior vulnerabilidade.
Medida beneficiou milhares de jovens
O regime de isenção de IMT e Imposto do Selo foi introduzido pelo Governo em agosto de 2024, juntamente com a garantia pública destinada a facilitar o acesso dos jovens à compra da primeira habitação.
Desde então, milhares de jovens recorreram a estes mecanismos para adquirir casa própria, reduzindo significativamente os custos iniciais da compra.
Caso o Governo venha a seguir a recomendação do FMI, a aquisição da primeira habitação poderá voltar a tornar-se mais onerosa para muitos jovens compradores, reabrindo o debate sobre o equilíbrio entre o apoio ao acesso à habitação e a necessidade de controlar a pressão sobre os preços do mercado imobiliário.
Apesar das recomendações do Fundo Monetário Internacional, cabe ao Governo português decidir se mantém ou altera as atuais políticas de apoio à habitação, num momento em que o acesso à casa continua a ser um dos principais desafios económicos e sociais do país.