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Especialistas alertam para agravamento da pobreza em Portugal e criticam reforma das prestações sociais

Image Credentials: Image Title: Especialistas alertam para agravamento da pobreza em Portugal e criticam reforma das prestações sociais. Source: (chatgpt.com) Date: June 2026. Attribution: This image was created using AI-generated imagery (chatgpt.com) by Open Chronicle and does not depict a real-world scene.

Por Open Chronicle Portugal com agências

Portugal poderá registar um agravamento da pobreza nos próximos anos, apesar do crescimento económico registado recentemente, alertaram economistas e especialistas em políticas sociais durante o programa Consulta Pública da Antena 1. Os intervenientes manifestaram preocupação com os baixos níveis de rendimento, o aumento das desigualdades e os potenciais impactos da futura Prestação Social Única (PSU).

Segundo a diretora da Pordata, Luísa Loura, as projeções do Eurostat apontam para um aumento da taxa de pobreza, refletindo as limitações estruturais da economia portuguesa.

“Portugal é um país pobre. Com os atuais níveis de rendimento, não consegue alcançar o mesmo padrão de vida da maioria dos restantes países da União Europeia”, afirmou.

A responsável defendeu que os indicadores macroeconómicos não traduzem a realidade vivida por muitas famílias, cuja capacidade financeira continua condicionada pelo baixo poder de compra.

Também Elizabeth Santos, socióloga da Rede Europeia Anti-Pobreza, alertou para o facto de as estatísticas nacionais esconderem situações de privação muito mais severas em determinadas regiões do país.

Na mesma emissão participou Carla Teixeira, antiga beneficiária de apoios sociais e atualmente membro do Conselho Local de Cidadãos do Porto. A interveniente apelou aos responsáveis políticos para conhecerem de perto as dificuldades enfrentadas pelas famílias com menores rendimentos.

“Convido os políticos a viverem uma semana com uma família pobre”, afirmou, acrescentando que muitas pessoas estão a perder a esperança perante o agravamento das dificuldades económicas.

Prestação Social Única gera forte debate

Grande parte da discussão centrou-se na proposta de criação da Prestação Social Única, uma das principais reformas sociais atualmente em preparação pelo Governo.

O novo modelo prevê integrar treze prestações sociais num único apoio, procurando simplificar o sistema e melhorar a sua gestão.

Contudo, vários especialistas receiam que a reforma possa traduzir-se numa redução efetiva dos apoios atribuídos aos beneficiários mais vulneráveis.

José António Pinto, assistente social da Junta de Freguesia de Campanhã, criticou duramente a abordagem do Executivo, acusando-o de demonstrar pouca sensibilidade social na forma como conduz o processo.

Na mesma linha, Francisco Branco, professor da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, advertiu que os verdadeiros efeitos da reforma poderão apenas tornar-se visíveis após a sua implementação.

Segundo o académico, existe o risco de a pobreza aumentar antes de serem plenamente compreendidas as consequências da nova prestação social.

Açores continuam entre as regiões mais vulneráveis

O debate destacou igualmente a situação dos Açores, que continuam a apresentar alguns dos indicadores de pobreza mais elevados do país.

De acordo com o estudo Portugal, Balanço Social 2025, persistem situações em que algumas famílias não conseguem assegurar uma alimentação adequada ou suportar despesas básicas de saúde.

Organizações de solidariedade social referem que os pedidos de ajuda continuam a aumentar. Na ilha Terceira, o projeto Porta da Misericórdia afirma estar a apoiar um número crescente de famílias afetadas pela subida do custo de vida, pelas dificuldades no acesso à alimentação e pelos encargos com cuidados de saúde.

Enquanto o Governo prossegue a discussão da reforma das prestações sociais, os especialistas defendem que qualquer alteração ao sistema deverá garantir a proteção dos grupos mais vulneráveis, evitando que as mudanças contribuam para aprofundar as desigualdades sociais num país onde mais de 1,7 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza ou risco de exclusão.

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