Image: from My Beautiful Country X @alentejo_1970
Por Open Chronicle Portugal com agências
O cantor e compositor Luís Represas morreu esta quarta-feira, 22 de julho, aos 69 anos, vítima de doença prolongada, deixando um legado que atravessa cinco décadas de música portuguesa. A notícia foi confirmada através de um comunicado enviado às redações.
Em 2026, o artista assinalava precisamente os 50 anos de carreira, iniciada na década de 1970 como um dos fundadores dos Trovante e consolidada, mais tarde, numa bem-sucedida carreira a solo.
Apesar da doença, Luís Represas preparava dois concertos comemorativos nos Coliseus de Lisboa e do Porto, previstos para abril de 2027, onde pretendia revisitar o percurso artístico construído ao longo de meio século.
“Há uma certeza no tudo estar em aberto, é que esses espetáculos se vão fazer com um retrato meu dos meus 50 anos de trabalho”, afirmara em maio deste ano.
Uma carreira que marcou gerações
Luís Represas tornou-se uma das figuras mais influentes da música portuguesa, primeiro com os Trovante e, a partir da década de 1990, como artista a solo.
Ao longo da carreira assinou alguns dos temas mais conhecidos da música nacional, entre os quais “Perdidamente”, “Da Próxima Vez” e “Feiticeira”, conquistando um lugar de destaque na música de autor portuguesa.
O seu percurso ficou igualmente marcado por inúmeras colaborações com artistas portugueses e internacionais, entre os quais Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Jorge Palma, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Compay Segundo, Gilberto Gil, Carlinhos Brown e Phil Collins.
Reconhecimento nacional e internacional
Além da música, Luís Represas destacou-se pelo envolvimento em diversas causas cívicas e culturais.
O seu apoio à causa da independência de Timor-Leste levou-o a integrar uma visita oficial ao país ao lado do então Presidente da República, Jorge Sampaio. Mais tarde, foi distinguido pelo Estado timorense com a Medalha da Ordem de Timor-Leste, atribuída pelo Presidente Taur Matan Ruak.
Em Portugal, foi agraciado em 2005 com a Ordem de Mérito, no grau de Comendador, pelo contributo prestado à cultura portuguesa.
Em 2010 publicou o livro infantil “A coragem de Tição”, posteriormente integrado no Plano Nacional de Leitura.
Já em 2019 recebeu o Prémio Pedro Osório, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, pelo álbum “Boa Hora”.
Uma voz presente para além dos palcos
Nos últimos anos, Luís Represas conciliava a atividade musical com a apresentação do programa televisivo “Língua Mãe”, mantendo igualmente uma intensa agenda de concertos.
Em setembro de 2025, dias antes de atuar no Festival F, em Faro, o músico afirmou, numa entrevista, que sempre procurou ser “honesto” na sua criação artística.
“Enquanto músico, eu sou honesto. É fazer aquilo que a nossa alma nos diz para fazer. É aí que transmitimos as nossas emoções, as nossas preocupações, as nossas experiências e a nossa maneira de ver o mundo”, afirmou então.
Durante essa conversa refletiu também sobre a evolução da indústria musical e recordou o percurso iniciado nos Trovante, que viria a abrir caminho para uma das carreiras a solo mais reconhecidas da música portuguesa.
Com a sua morte, Portugal perde uma das vozes mais emblemáticas da sua cultura contemporânea, autor de canções que atravessaram gerações e que continuarão a fazer parte do património musical do país.