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Açores: atividade sísmica na Fossa de Hirondelle revela a dinâmica geológica a oeste de São Miguel

Uma sequência de dezenas de sismos, iniciada em 20 de outubro, voltou a colocar a Fossa de Hirondelle sob observação científica. O IPMA confirma vários eventos sentidos pela população e recorda que esta região do Atlântico já registou crises sísmicas semelhantes no passado.

Por Open Chronicle Portugal

30 de outubro de 2026 | Açores

Uma sequência sísmica no Atlântico

A região situada a oeste da ilha de São Miguel, nos Açores, está a registar um aumento significativo da atividade sísmica desde 20 de outubro de 2026.

O fenómeno concentra-se na Fossa de Hirondelle, uma estrutura submarina localizada numa região geologicamente ativa do Atlântico Norte.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), foram identificados cerca de uma centena de eventos sísmicos na região desde o início da sequência, segundo a versão consultada do comunicado oficial de 29 de outubro.

O balanço divulgado inicialmente apontava para 75 sismos, quatro dos quais sentidos pela população. A atualização dos registos demonstra a importância de distinguir as contagens provisórias dos dados posteriormente revistos.

Os acontecimentos voltaram a chamar a atenção para a complexidade geológica do arquipélago açoriano, situado numa região onde interagem importantes estruturas tectónicas.

Embora a maioria dos sismos identificados tenha apresentado magnitudes relativamente reduzidas, alguns eventos foram sentidos em diferentes localidades de São Miguel e noutras ilhas.

Dois sismos separados por apenas cinco minutos

Na manhã de 29 de outubro, a Rede Sísmica do Arquipélago dos Açores registou dois sismos sentidos na ilha de São Miguel.

O primeiro ocorreu às 07h54, hora UTC, correspondente às 06h54 nos Açores, e apresentou magnitude local de 4,5, segundo a síntese do IPMA.

O epicentro foi localizado aproximadamente 40 quilómetros a oeste da freguesia de Ginetes, no concelho de Ponta Delgada, com uma profundidade estimada de dois quilómetros.

O abalo foi sentido com intensidade máxima III/IV na Escala de Mercalli Modificada na freguesia de Ginetes, tendo sido também percecionado noutras localidades da ilha.

Cinco minutos depois, às 07h59 UTC, ocorreu um segundo sismo, de magnitude local 3,8, com epicentro na mesma região.

Este segundo evento foi sentido com intensidade máxima II na zona ocidental de São Miguel.

O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) apresentou uma determinação preliminar de magnitude 4,3 para o primeiro evento.

Diferenças entre estimativas sismológicas podem resultar dos métodos de cálculo, dos dados disponíveis e de revisões posteriores das localizações e magnitudes.

O sismo de 20 de outubro

O acontecimento mais significativo da sequência ocorreu em 20 de outubro, pelas 18h07 UTC.

Segundo o IPMA, o sismo apresentou magnitude local de 5,1 e magnitude de momento de 5,3.

Foi sentido com intensidade máxima IV/V na zona ocidental de São Miguel, de acordo com a avaliação divulgada pelo instituto.

O CIVISA comunicou intensidades superiores em determinadas localidades, incluindo um máximo de V/VI no concelho de Ponta Delgada, segundo a informação então disponível.

O evento foi também sentido noutras zonas de São Miguel e nas ilhas Terceira e Santa Maria.

A análise do mecanismo focal realizada pelo IPMA aponta para uma falha normal, com orientação aproximada noroeste a sudeste.

Este tipo de falha está associado a movimentos de extensão da crosta terrestre, nos quais um bloco rochoso se desloca relativamente a outro.

O resultado fornece informações importantes sobre os processos tectónicos responsáveis pela atividade sísmica naquela região.

O que é a Fossa de Hirondelle?

A Fossa de Hirondelle é uma depressão submarina situada a oeste de São Miguel, numa região marcada pela interação de estruturas tectónicas do arquipélago dos Açores.

A sua localização insere-se num contexto geológico complexo, associado à proximidade entre as placas Norte-Americana, Euroasiática e Africana, também designada Núbia em determinados modelos tectónicos.

A movimentação relativa destas placas contribui para a deformação da crosta terrestre e para a ocorrência de sismos.

Contudo, a atividade sísmica dos Açores não se limita às grandes fronteiras entre placas.

Existem numerosas falhas e estruturas tectónicas regionais capazes de produzir eventos sísmicos, incluindo no fundo oceânico.

A Fossa de Hirondelle integra este conjunto de estruturas geológicas e constitui uma das áreas onde a atividade sísmica pode apresentar períodos de intensificação.

A investigação destes fenómenos permite compreender melhor a evolução tectónica do arquipélago e os processos responsáveis pela libertação de energia acumulada na crosta terrestre.

Uma região com antecedentes históricos

A atividade sísmica agora observada não representa um fenómeno sem precedentes.

O IPMA recorda que a Fossa de Hirondelle já registou crises sísmicas em 1988 e 1997.

Estes antecedentes demonstram que a região apresenta episódios recorrentes de atividade sísmica concentrada.

Uma crise sísmica corresponde a um período durante o qual se regista um número de sismos superior ao habitual numa determinada área.

A sua duração e evolução podem variar consideravelmente.

Algumas sequências diminuem gradualmente de intensidade, enquanto outras apresentam oscilações no número e na magnitude dos eventos.

A identificação de padrões históricos é importante para a investigação, mas não permite determinar antecipadamente a magnitude ou o momento de futuros sismos.

Existe uma ligação direta à atividade vulcânica?

A natureza vulcânica dos Açores pode levar à associação imediata entre qualquer sequência sísmica e uma eventual erupção.

No entanto, esta interpretação exige prudência.

A atividade sísmica pode ter origem em movimentos tectónicos, processos vulcânicos ou numa combinação de mecanismos geológicos.

No caso da sequência da Fossa de Hirondelle, a informação divulgada pelo IPMA identifica um mecanismo de falha normal para o principal evento de 20 de outubro.

Este dado é compatível com uma origem tectónica do sismo analisado.

Não constitui, por si só, uma demonstração de que toda a atividade da região tenha uma única origem, nem permite estabelecer a existência de um processo eruptivo.

A avaliação de eventual atividade vulcânica exige a integração de diferentes observações, incluindo dados sísmicos, deformação do terreno e outros indicadores geofísicos e geoquímicos.

Até à informação oficial aqui analisada, não existe fundamento para apresentar esta sequência como sinal de uma erupção iminente.

A importância da vigilância científica

O acompanhamento da atividade sísmica nos Açores é realizado através de redes de observação e de instituições especializadas.

O IPMA utiliza os dados recolhidos pelas estações sísmicas para determinar a localização, profundidade e magnitude dos eventos.

O CIVISA desempenha igualmente um papel central na vigilância sismovulcânica regional.

Os registos permitem identificar alterações na distribuição dos epicentros, acompanhar a evolução das magnitudes e analisar os mecanismos responsáveis pelos sismos.

A observação contínua é particularmente importante numa região onde os fenómenos geológicos fazem parte da realidade natural do território.

Os dados também apoiam as autoridades de proteção civil na avaliação das condições de segurança e na comunicação com a população.

Preparação e informação pública

Perante a sequência sísmica, o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores reiterou recomendações de autoproteção.

Entre as principais medidas encontram-se a preparação de um conjunto de emergência, a identificação de locais seguros nas habitações e o acompanhamento dos comunicados oficiais.

Durante um sismo, a população deve procurar proteger-se de objetos que possam cair, evitar deslocações precipitadas e seguir as orientações das autoridades.

Depois de um abalo, importa verificar eventuais danos estruturais e manter atenção à possibilidade de novos eventos.

Nas zonas costeiras, devem ser respeitadas as indicações específicas das autoridades relativamente a eventuais riscos associados ao mar.

A divulgação de informação confirmada é especialmente importante durante períodos de maior atividade sísmica, quando rumores e interpretações sem fundamento científico podem gerar preocupação desnecessária.

O que poderá acontecer nos próximos dias?

O IPMA admite que poderão ocorrer novos eventos sísmicos na região da Fossa de Hirondelle.

Esta possibilidade decorre da atividade observada e dos antecedentes conhecidos da zona.

Contudo, não significa que esteja previsto um sismo de maior magnitude.

A ciência dispõe de métodos para identificar e caracterizar regiões de risco sísmico, mas não consegue prever com precisão o momento, a localização e a magnitude de um futuro terramoto.

A evolução da sequência dependerá dos processos geológicos em curso, que continuam a ser acompanhados pelas instituições responsáveis.

Os números divulgados em cada comunicado devem, por isso, ser interpretados como retratos da informação disponível num determinado momento.

Uma janela para compreender a geologia dos Açores

A sequência sísmica da Fossa de Hirondelle constitui mais um exemplo da dinâmica geológica que caracteriza o arquipélago açoriano.

Para a população, estes acontecimentos reforçam a importância da preparação e da informação pública.

Para a comunidade científica, representam uma oportunidade de estudar a deformação da crosta terrestre e o comportamento das estruturas tectónicas submarinas.

A análise dos dados recolhidos poderá contribuir para aprofundar o conhecimento sobre a sismicidade regional e melhorar os instrumentos de vigilância.

Num território moldado ao longo de milhões de anos por processos tectónicos e vulcânicos, compreender a atividade do subsolo continua a ser essencial para a segurança das comunidades e para o avanço da investigação científica.

A Fossa de Hirondelle recorda que, mesmo quando o oceano parece tranquilo à superfície, a dinâmica geológica do Atlântico permanece ativa.

OPEN CHRONICLE PORTUGAL

Fontes Oficiais e Documentação

As seguintes fontes institucionais sustentam a informação apresentada neste artigo sobre a atividade sísmica registada na Fossa de Hirondelle, a oeste da ilha de São Miguel, nos Açores, durante outubro de 2026.

FONTE 01 | INSTITUTO PORTUGUÊS DO MAR E DA ATMOSFERA

IPMA, Atividade Sísmica Recente nos Açores

Comunicado de 29 de outubro de 2026, com informação sobre a sequência sísmica, os eventos sentidos pela população e o mecanismo focal do principal sismo registado na região.


Consultar comunicado oficial →

FONTE 02 | MONITORIZAÇÃO SÍSMICA

IPMA, Catálogo de Atividade Sísmica

Registos instrumentais da atividade sísmica, incluindo magnitudes, profundidades, localizações dos epicentros e informação sobre os eventos identificados pelas redes de monitorização.


Consultar catálogo sísmico →

FONTE 03 | PROTEÇÃO CIVIL E VIGILÂNCIA SISMOVULCÂNICA

Proteção Civil dos Açores e CIVISA, Comunicado 41/2026

Informação oficial de 29 de outubro de 2026 sobre o evento sísmico sentido na ilha de São Miguel, incluindo dados de localização, intensidade e recomendações de segurança para a população.


Consultar comunicado →

FONTE 04 | REGISTO SÍSMICO OFICIAL

Proteção Civil dos Açores e CIVISA, Comunicado 33/2026

Caracterização do sismo ocorrido em 20 de outubro de 2026 na região da Fossa de Hirondelle, incluindo os dados instrumentais e as intensidades macrossísmicas observadas nas ilhas dos Açores.


Consultar comunicado →

Nota Editorial:
Este artigo foi preparado pelo Open Chronicle Portugal com base em comunicados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores e do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores. Os dados relativos à atividade sísmica correspondem à informação disponível à data dos comunicados consultados e podem ser posteriormente atualizados ou revistos pelas instituições responsáveis. O artigo tem caráter informativo e científico, não constituindo uma previsão de futuros acontecimentos sísmicos.

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