Image Credits: Apesar de muito sol, dois em cada três portugueses têm níveis insuficientes de vitamina D. AI-generated illustration created by Open Chronicle using ChatGPT (OpenAI). July 2026. This image is illustrative and does not depict a real-world scene.
Por Open Chronicle Portugal com agências
Portugal é um dos países mais soalheiros da Europa, mas continua a enfrentar um paradoxo na área da saúde pública: cerca de dois em cada três adultos apresentam níveis insuficientes de vitamina D, apesar da elevada exposição solar ao longo do ano.
Os dados resultam de um estudo representativo da população portuguesa, que concluiu que uma grande parte dos adultos possui concentrações séricas de vitamina D inferiores a 20 ng/mL, valor considerado insuficiente para garantir um funcionamento adequado do organismo.
À primeira vista, a situação pode parecer contraditória, já que a principal fonte desta vitamina é precisamente a exposição da pele à radiação ultravioleta B (UVB) proveniente do Sol.
No entanto, os especialistas alertam que o número de horas de sol disponível não é, por si só, suficiente para garantir níveis adequados de vitamina D.
Estilo de vida explica grande parte do problema
A produção de vitamina D depende de vários fatores, incluindo a idade, o tom de pele, a quantidade de pele exposta, a intensidade da radiação solar e o tempo efetivo de exposição ao Sol.
Contudo, a principal explicação para este fenómeno reside na forma como as pessoas vivem atualmente.
Grande parte da população passa a maior parte do dia em ambientes fechados, seja no trabalho, na escola, em centros comerciais ou durante deslocações de automóvel. Mesmo durante o verão, muitas pessoas acabam por ter uma exposição solar muito inferior àquela que imaginam.
Além disso, a crescente sensibilização para os riscos da radiação ultravioleta levou ao uso mais frequente de protetor solar e de outras medidas de proteção da pele, fundamentais para reduzir o risco de cancro cutâneo.
Os especialistas sublinham, porém, que esta realidade não deve ser interpretada como um incentivo à exposição prolongada ao Sol sem proteção, mas sim como uma demonstração de que a abundância de sol não garante automaticamente níveis adequados de vitamina D.
Deficiência pode passar despercebida
Na maioria dos casos, a insuficiência de vitamina D não provoca sintomas evidentes, sobretudo quando é ligeira ou moderada.
Quando a deficiência é mais acentuada e prolongada, pode estar associada a fraqueza muscular, dores ósseas e aumento do risco de quedas e fraturas, particularmente entre a população mais idosa.
A vitamina D desempenha um papel essencial na absorção do cálcio e na manutenção da saúde óssea e muscular, sendo considerada indispensável para preservar a resistência do esqueleto.
Grupos com maior risco
Embora qualquer pessoa possa apresentar níveis reduzidos desta vitamina, existem grupos considerados mais vulneráveis.
Entre eles encontram-se os idosos, pessoas institucionalizadas ou com mobilidade reduzida, indivíduos com obesidade, doentes com patologias que afetam a absorção intestinal e pessoas que tomam medicamentos capazes de interferir com o metabolismo da vitamina D.
Nem todos precisam de fazer análises
Os especialistas recordam também que falar de insuficiência de vitamina D não significa defender a realização de análises a toda a população.
A evidência científica atual não recomenda o rastreio sistemático em adultos saudáveis.
A decisão de medir os níveis de vitamina D deve resultar de uma avaliação clínica individual, tendo em consideração os fatores de risco e a história clínica de cada pessoa, evitando exames ou tratamentos desnecessários.
Literacia em saúde durante todo o ano
Os especialistas defendem que a vitamina D não deve ser encarada apenas como uma preocupação dos meses de inverno.
A promoção de estilos de vida saudáveis, a identificação dos grupos mais vulneráveis e uma avaliação médica individualizada quando necessária são apontadas como as estratégias mais eficazes para prevenir a deficiência.
O verdadeiro paradoxo português, concluem, não é a falta de sol, mas sim o facto de persistirem níveis insuficientes de vitamina D num dos países mais ensolarados da Europa.