Por Open Chronicle Portugal com Agências | 12 de março de 2026
LISBOA – O combate ao narcotráfico em Portugal atingiu novos máximos em 2025. De acordo com o mais recente relatório “Combate ao Tráfico de Estupefacientes em Portugal”, divulgado pela Polícia Judiciária (PJ), as operações de apreensão de cocaína cresceram 20,6%, resultando num total de 25,63 toneladas da droga confiscadas pelas autoridades.
O volume total da substância retirada de circulação registou um aumento de 11,4% face a 2024, consolidando uma tendência de crescimento na pressão do tráfico transatlântico sobre o território nacional.
O Domínio das Rotas Marítimas e a Conexão Brasileira
Os dados da PJ revelam que a via marítima continua a ser a “porta de entrada” por excelência, sendo responsável por 95% da droga que chega ao país. O relatório identifica o Brasil como a principal origem e rota de trânsito para a cocaína destinada ao mercado português e europeu.
No que toca à logística das apreensões, o cenário geográfico sofreu alterações notáveis:
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Arquipélagos no Topo: As maiores quantidades foram interceptadas nas regiões autónomas. Os Açores lideram com 8.803 kg, seguidos de perto pela Madeira com 7.526 kg.
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Continente: No território continental, o Porto (3.122 kg) e Lisboa (3.000 kg) mantêm-se como os principais pontos de apreensão, com Setúbal a registar 1.750 kg.
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Frequência de Operações: Lisboa continua a ser o distrito com maior número de intervenções policiais (701), seguida pelo Porto (353) e Faro (243). A novidade este ano é a entrada de Aveiro no “top 5”, substituindo Coimbra.
Perfil dos Detidos e Demografia do Crime
O ano de 2025 fechou com 1.773 detenções relacionadas com o tráfico de cocaína, um aumento de 14,2%. O perfil dos envolvidos é maioritariamente masculino (89,2%) e com idade superior a 40 anos.
Embora 73% dos detidos sejam de nacionalidade portuguesa, as autoridades registaram uma presença significativa de cidadãos do Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Espanha entre os suspeitos.
Cannabis: Volume de Haxixe Duplica
O relatório da Polícia Judiciária destaca ainda uma subida vertiginosa nas apreensões de haxixe, que atingiram os 14.879 kg, um salto de 102,6% em comparação com o ano anterior. Curiosamente, apesar do volume ter duplicado, o número total de operações baixou ligeiramente (1%), o que indica que os carregamentos individuais estão a tornar-se muito maiores. A média por apreensão subiu de 1,65 kg em 2024 para 3,38 kg em 2025.
À semelhança da cocaína, a via marítima permanece a principal infraestrutura utilizada pelas redes de tráfico de cannabis para abastecer o país.